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Igualdade de gênero no trabalho levará mais de 200 anos

Igualdade de gênero no trabalho levará mais de 200 anos

Relatório do Fórum Econômico Mundial alerta para o declínio da participação feminina na política. O estudo também apontou que o Brasil apresentou um retrocesso significativo em 2018 em relação ao acesso à saúde e à educação.

 

A igualdade de gênero em locais de trabalho em todo o mundo levará séculos para ser alcançada, segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial (FEM). O texto alerta também para o declínio da participação feminina na política, além do acesso desigual à saúde e à educação.

O relatório estima que a lacuna global entre os gêneros em várias áreas não se fechará por mais 108 anos e que serão necessários mais de 200 anos para eliminar as diferenças no local de trabalho.

Segundo o estudo, houve algumas melhorias na equiparação salarial em 2018 em comparação com 2017, mas este progresso foi compensado pelo declínio da representação das mulheres na política, acoplado com uma maior desigualdade no acesso aos serviços de saúde e educação.

Os países nórdicos lideram o ranking. A sociedade com mais igualdade de gênero do mundo é a da Islândia, seguida por Noruega, Suécia e Finlândia. Do outro lado, Síria, Iraque, Paquistão e o último colocado Iêmen mostraram as maiores discrepâncias gerais de gênero.

Entre as 20 principais economias do mundo, a França obteve o melhor resultado e ocupou a 12ª colocação geral, seguida por Alemanha (14ª), Reino Unido (15ª), Canadá (16ª) e África do Sul (19ª). Os EUA caíram para a 51ª posição geral, com o FEM dando destaque a uma recente queda na paridade de gênero em cargos de nível ministerial.

O Brasil ocupou a 95ª colocação, abaixo de Senegal e Camboja e acima de Libéria e Azerbaijão. Na América Latina, o Brasil ficou à frente somente de Paraguai, Guatemala e Belize. Segundo o relatório, o Brasil notou em 2018 uma reversão significativa no progresso em direção à igualdade de gênero – com a maior lacuna registrada desde 2011, em grande parte devido às subcategorias de participação econômica e de oportunidade. Por outro lado, o estudo não menciona desigualdades nas categorias de saúde e educação.

O FEM utilizou dados de instituições como a Organização Internacional do Trabalho, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde. O relatório conclui que nenhum país ainda eliminou a diferença salarial: a média global é de 51% de diferença salarial.

Após anos de avanços em educação, saúde e representação política, as mulheres sofreram recuos nas três áreas neste ano. O único setor de melhoria foi registrado no de oportunidade econômica. Além disso, o FEM destaca que o número de mulheres em cargos de liderança subiu 34% em todo o mundo.

Em 2018, menos mulheres trabalhavam do que homens, e a principal razão para a discrepância foi a falta de opções de cuidados infantis. Isso mantém as mulheres longe de empregos ou de avançar para funções de liderança, de acordo com o estudo.

O ano de 2017 registrou apenas 17 mulheres chefes de Estado ou de governo. Apenas 18% dos cargos ministeriais e 24% dos cargos parlamentares no mundo estavam ocupadas por mulheres.

Outro fator importante que tem mantido as mulheres fora do mercado de trabalho seria a automação, segundo o estudo. O FEM sugere que nos trabalhos tradicionalmente realizados por mulheres, como administração, atendimento ao cliente e telemarketing, a automação tem tido um impacto desproporcional.

 

 

Fonte: Primeira Página com informações da Carta Capital.

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